terça-feira, 15 de novembro de 2011

"AMAR" por Mário Quintana



"Amar:

Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...


E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro
."

QUINTANA, Mário

sábado, 29 de outubro de 2011

29 de outubro: DIA NACIONAL DO LIVRO

 


                      29 de outubro foi escolhido para ser o “Dia Nacional do Livro”, porque esta é  a data de aniversário da fundação da Biblioteca Nacional. Na realidade, nesse dia, foi realizada a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil.
  





LIVRO: a troca






"Prá mim, livro é vida; desde muito pequena os livros me deram casa e comida.

Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé fazia parede; deitado, fazia

degrau de escada;

inclinado, encostava num outro e fazia telhado.

E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro prá brincar de morar em livro.

De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar prás paredes).

Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.

Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça.

Mas fui pegando intimidade com as palavras.

E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado
ou de construir novas casas.

Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.

Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia;

e de barriga assim cheia me levava prá morar no

mundo inteiro: iglu, cabana, palácio,

arranha-céu,

era só escolher e pronto, o livro me dava.

Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa

 troca tão gostosa que

- no meu jeito de ver as coisas -

é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.

Mas como a gente tem mania de sempre querer mais,

eu cismei de um dia alargar a troca: comecei a fabricar tijolo prá - em algum lugar -

uma criança juntar com outros e levantar a casa onde ela vai morar".


Lygia Bojunga Nunes

domingo, 16 de outubro de 2011

"LIMITES DO AMOR" por Affonso Romano de Sant'Ana

"Limites do Amor

Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.

O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:

- ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta
".

Affonso Romano de Sant'Ana


Outras leituras:


sábado, 15 de outubro de 2011

DIA DO PROFESSOR!!!!! por Sara Menck



****************************************************************

  ATENÇÃO, professores, chamada!








  Professor Ainda Vale a Pena Ser Professor??

-   ...

-   Professor Ainda Vale a Pena Ser Professor??
...

- Professora, hoje ele faltou, mas ontem ele veio!! 

- Verdade, tenho algumas faltas dele aqui!!




-   Professor Amigo?
- Aqui!




- Professor Brincalhão?
 - Here!!

  Professor Companheirão?!
 -  Sempre aqui!!

  -   Professor Distante?

...  eu??



-   Professor Esquece de Entregar Trabalhos e Provas?
- ...  o quê?


  -   Professor Enérgico?
-   PRESENTE.



  -   Professor Eterno Estudante?
-   Preseeeente!!


- Professor Humilde?
-   ... presente...


Professor Mal Humorado?
-   CLARO QUE ESTOU PRESENTE!


   -  Professor Muito Massa?
-  PRÉ - SENTE!!


   -   Professor Organizado?
-   Presente.



-   Professor Respeitado?
-   ...


 -  Professor Sonhador?

...

PROFESSOR SONHADOR, esta no mundo da lua???!!!
  Ahn?? Ah, aqui...  presente!!!! Desculpe, estava vendo um projeto...



   -  Professor Um Alguém Significativo na Vida de Tantos??
  Professor presente.



   -  Professor Valorizado?
...


           -   PROFESSOR VALORIZADO?

  ...   




Caros colegas:  acredito mesmo que temos um pouco de cada um e, apesar de tudo,  ainda podemos marcar bem o presente!!!!!


Sara Maria


*******************************************************




PRECE(1941)




Concede-me, Senhor, a graça de ser boa,

De ser o coração singelo que perdoa,

A solícita mão que espalha, sem medidas,

Estrelas pela noite escura de outras vidas

E tira d’alma alheia o espinho que magoa.” 

(KOLODY, Helena)






quinta-feira, 13 de outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia Nacional da Leitura por Sara Menck




“A diferença entre uma coisa e a mesma coisa é

o olhar que lançamos à coisa”.

  

A leitura é um processo longo que se inicia no berço. A criança aprende a “ler” aqueles que estão ao seu redor e compreende, rapidinho, qual é o colo que melhor o aconchega... Qual a cantiga mais afetuosa... Qual o abraço mais seguro...



 E é lindo observarmos nos pequenos as suas escolhas... Elas decorrem de suas leituras, seguidas das suas preferências.


Na primeira infância, eles já sabem gostar de folhear livros, ver figuras e apontar com o dedinho aquelas das quais os olhos mais levaram a chamar a atenção.


Eles gostam de ouvir histórias e achar graça nelas. Riem, perguntam, constatam...


Assim, os pais que, desde cedo, desenvolvem leituras diversas com os seus pequenos estão acrescentando a eles uma significativa também leitura de mundo.


A leitura do mundo é um processo natural em todos nós. Aprendemos com os outros; lemos o mundo. Isso acontece até com aqueles que não leem a palavra escrita. Quantas pessoas que conhecemos e que não aprenderam a ler a palavra escrita e que ensinam coisas preciosas a respeito da vida, pois são excelentes leitores de mundo.


 Paulo Freire, um educador estudioso da leitura, nos ensina que “a leitura de mundo precede a leitura da palavra”. Dessa forma, podemos entender o quão interessante é ver as nossas crianças, junto com a leitura de mundo, desenvolverem o hábito da leitura enciclopédica.


E 12 de outubro foi instituído em 2009 
 pela Presidência da República
como  


O “DIA NACIONAL DA LEITURA”.


      ***************************************************************************************


*      Ler é um hábito social. Não nascemos leitores, mas nos tornamos melhores leitores dia a dia.
 
*     Os pais das nossas crianças poderão torná-las excelentes leitoras no mais completo sentido.
Sara Maria

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO" por Monteiro Lobato


de como um João-de-barro anima as conversas no Sítio


"Numa casinha branca, lá no Sítio do Picapau Amarelo, mora uma velhinha de mais de sessenta anos. Chama-se Dona Benta.

Quem passa pela estrada e a vê na varanda, de cestinha de costura ao colo e óculos de ouro na ponta do nariz, segue seu caminho pensando:

- Que tristeza viver assim tão sozinha neste deserto...

Mas engana-se. Dona Benta é a mais feliz das vovós, porque vive em companhia da mais encantadora das netas – Lúcia, a menina do narizinho arrebitado, ou Narizinho como todos dizem.


Narizinho tem sete anos, é morena como jambo, gosta muito de pipoca e já sabe fazer uns bolinhos de polvilho bem gostosos.

Na casa ainda existem duas pessoas – Tia Nastácia, negra de estimação que carregou Lúcia em pequena, e Emília, uma boneca de pano bastante desajeitada de corpo.


Emilia foi feita por Tia Nastácia, com olhos de retrós preto e sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma bruxa.


Apesar disso, Narizinho gosta muito dela; não almoça nem janta sem a ter ao lado, nem se deita sem primeiro acomodá-la numa redinha entre dois pés de cadeira.


Além da boneca, o outro encanto da menina é o ribeirão que passa pelos fundos do pomar.


Suas águas muito apressadinhas e mexeriqueiras correm por entre as pedras negras de limo, que Lúcia chama as “Tias Nastácias do rio”.





Todas as tardes Lúcia tomam a boneca e vai passear a beira d’água, onde se senta na raiz de um velho ingazeiro para dar farelo de pão aos lambaris.


Não há peixe do rio que não a conheça; assim que ela aparece, todos acodem numa grande faminteza. Os mais miúdos chegam pertinho; o graúdo parece que desconfiam da boneca, pois ficam ressabiados, a espiar de longe. E nesse divertimento leva a menina horas, até que Tia Nastácia apareça no portão do pomar e grite na sua voz sossegada:

- Narizinho, vovó está chamando!...


O jardim de Dona Benta fica nos fundos da sala de jantar, um verdadeiro amor de jardim, só de plantas antigas e fora de moda.

Flores do tempo de sua mocidade: esporinhas, damas-entre-verdes, suspiros, orelhas-de-macaco, dois pés de jasmim-do-cabo, e outro, muito velho, de jasmim-manga.


Plantado na calçada e a subir pela parede, o velhíssimo pé de flor-de-cera, planta que os modernos já não plantam porque custa muito a crescer.

Até cravo-de-defunto existe lá, flor com que Narizinho implica por ter “cheiro de cemitério”.


E o pomar?

O pomar fica nos fundos da casa, depois do “quintal da cozinha”, onde há um galinheiro, um tanque de lavar roupa e o puxado da lenha.

O poço velho fora fechado depois que Dona Benta mandou encanar a agüinha do morro.


Passado o quintal vem o pomar – aquela delícia de pomar!


Por que delícia?


Porque as árvores são muito velhas, e árvore quanto mais velha melhor para a beleza e a frescura da sombra.

Árvore nova pode ser muito boa para dar frutas bonitas, baixinhas e fáceis de apanhar. Mas para a beleza não há como uma árvore bem velha, bem craquenta, com os galhos revestidos de musgos, liquens e parasitos.


É tão antigo aquele pomar que os vizinhos até caçoam. Vivem dizendo:


- O pomar de Dona Benta está tão velho que qualquer dia se Poe a caducar. As jaqueiras começam a dar mangas e as mangueiras a dar laranjas.

Mas Dona Benta não faz caso. Não admite que se corte uma só árvore – nem o pobre pé de fruta-de-conde encarangado.

Dona Benta diz que cada uma delas lembra qualquer coisa da sua meninice ou mocidade.

- Este pé de laranja-baiana – costuma dizer – foi primeiro que tivemos aqui, e dele saíram os enxertos dos outros. Naquele tempo, laranja-baiana era uma grande novidade. A muda foi presente do defunto Zé das Lombrigas, um português muito trabalhador que morava numa chácara perto da vila.


Impossível haver no mundo lugar mais sossegado e fresco, e mais cheio de passarinhos, abelhas e borboletas.


Como Dona Benta não admite por ali nenhum menino de estilingue, a passarinhada se sente à vontade e faz seus ninhos como se estivessem na Ilha da Segurança. O próprio bodoque de Pedrinho não funciona no pomar.

E que passarinhos existem?


Oh, tantos!... No tempo o pomar enche-se de sabiás de peito vermelho, amigos de cantar a célebre música-dos-sabiá que os pais vão ensinando aos filhotes, sempre igualzinha, sem a menor mudança. E há os sanhaços cor de cinza clara. E as saíras azuis. E as graúnas pretíssimas. E muito canário-da-terra, muito papa-capim. Tiziu, pintassilgo, rolinha, corruíra...


Mas o rei do pomar é o joão-de-barro. Na paineira grande, bem lá no fundo, moram dois, num ninho feito de argila, em forma de forno de assar pão. É o casal mais amigo possível. Não se largam nunca. Onde está um, também está por perto o outro. E se por acaso um se afasta um pouco mais, volta e meio solta uns gritos como quem pergunta: “Onde você está” – e o outro responde: “Estou aqui”.



E, de vez em quando cantam juntos aquele terrível dueto que mais parece uma série de marteladas estridentes e alegres.


- Que coisa interessante, vovó! – disse Pedrinho um dia, quando passava as férias no Sítio. – Repare que eles sempre cantam ou gritam juntos. Um faz uma parte e outro faz o acompanhamento, como no piano...

E é assim mesmo. São tão amigos que até para cantar “cantam a duas mãos”, como diz a boneca Emília.

Certo ano o casal resolveu construir um ninho novo em outro galho da paineira, e durante quinze dias o divertimento dos meninos foi acompanhar de longe aquele trabalho.


Os dois passarinhos traziam da beira do ribeirão um pelote de barro no bico e ficavam ali a colocar aquela massa no lugar próprio, e a bicá-la cem vezes para que ficasse bem ligadinha.


Enquanto um se ocupava naquilo, o outro voava em busca de mais barro. Nunca estavam os dois no mesmo serviço; revezavam-se.


À tardinha interrompiam o trabalho, cantavam o dueto com toda a forca e depois se acomodavam no ninho velho.

O mais curioso foi que, depois de acabado o ninho novo, eles, em vez de se mudarem, resolveram fazer um segundo ninho em cima daquele.

Quem primeiro notou isso foi o Visconde de Sabugosa, que foi, todo assanhado, contar a Dona Benta.

- Venham ver – disse o sabuguinho. – Eles terminaram ontem a construção do ninho novo, mas não se mudaram do velho; em vez disso estão construindo um segundo ninho sobre o novo – uma espécie de segundo andar.

Dona Benta foi com os meninos e viu.

- Por que será, vovó? – quis saber Pedrinho.

- Não sei, meu filho, mas os dois passarinhos devem ter lá suas razões.

- Eu sei – berrou Emília. – É para alugar!...

Todos riram.


- Eu acho – disse Narizinho – que é para acomodar os filhotes quando chegarem ao ponto de voar.

- Isso não – observou Dona Benta. – Porque se os pais construíssem casas para os filhos, estes não aprenderiam a arte da construção e essa arte se perderia. É fazendo que se aprende.

- Mas então esses passarinhos raciocinam, vovó – têm inteligência...


- Está claro que têm, meu filho, a Inteligência é uma faculdade que aparece em todos os seres, não só no homem. Até as plantas revelam inteligência. O que há é que a inteligência varia muito de grau. É pequeníssima nas galinhas e nos perus, mas já bem desenvolvida no joão-de-barro – e é um colosso num homem como Isaac Newton, aquele que descobriu a Lei da Gravitação Universal".


(MONTEIRO LOBATO.  de como um joão-de-barro anima as conversas no sítio. In: O Sítio do Pica-pau Amarelo. 4ª. Edição. São Paulo: Editora Brasiliense; 1991.)