sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"O REIZINHO MANDÃO" por Ruth Rocha





As crianças, muitas vezes, nos falam coisas interessantes.

 Mas é muito engraçado quando elas criam certas palavras.

 Uma vez, a minha cunhada me contou que a filha, um dia, disse assim - quando começou a anoitecer.
- Mãe, já começou a escuriar...
Claro que, naquele momento, a minha sobrinha expressou o que ela entendia pelo contrário de clarear...
É incrível as  comparações que as crianças fazem ao “criar” novas palavras e organizar os seus pensamentos.

Veja só a história do martelo,

quero dizer, do marmelo,

não, do Marcelo...


Contada por Ruth Rocha e ilustrada por Adalberto Cornavaca.

MARCELO, MARMELO, MARTELO.

Marcelo vivia fazendo perguntas a todo mundo:
- Papai, por que é que a chuva?
-Mamãe, por que é que o mar não derrama?
- Vovó, por que é que o cachorro tem quatro pernas?
As pessoas grandes às vezes respondiam. Às vezes, não sabiam como responder.
-Ah, Marcelo, sei lá...
Uma vez, Marcelo cismou com o nome das coisas:
- Mamãe, por que é que eu me chamo Marcelo?
- Ora, Marcelo foi o nome que eu e seu pai escolhemos.
- E por que é que não escolheram martelo?
-Ah, meu filho, martelo não é nome de gente! É nome de ferramenta...
- Por que é que não escolheram marmelo?



- Porque marmelo é nome de fruta, menino!
- E a fruta não podia chamar Marcelo, e eu chamar marmelo?
No dia seguinte, lá vinha ele outra vez:
- Papai, por que é que mesa chama mesa?
- Ah, Marcelo, vem do latim.
- Puxa, papai, do latim? E latim é língua de cachorro?
- Não, Marcelo, latim é uma língua muito antiga.
- E por que é que esse tal de latim não botou na mesa nome de cadeira, na cadeira nome de parede, e na parede nome de bacalhau?
-Ai, meu Deus, este menino me deixa louco!
Daí a alguns dias, Marcelo estava jogando futebol com o pai:
-Sabe, papai, eu acho que o tal de latim botou nome errado nas coisas. Por exemplo, por que é que bola chama bola?
- Não sei, Marcelo, acho que bola lembra uma coisa redonda, não lembra?
-Lembra, sim, mas ... e bolo?


- Bolo também é redondo, não é?
- Ah, essa não! Mamãe vive fazendo bolo quadrado...
O pai de Marcelo ficou atrapalhado.

E Marcelo continuou pensando:
“Pois é, esta tudo errado! Bola é bola, porque é redonda. Mas bolo nem sempre é redondo. E por que será que a bola não é a mulher do bolo? E bule? E belo? E Bala? Eu acho que as coisas deviam ter o nome mais apropriado. Cadeira, por exemplo. Devia chamar sentador, não cadeira, que não quer dizer nada. E travesseiro? Devia chamar cabeceiro, lógico! Também, agora, eu só vou falar assim”.


Logo de manhã, Marcelo começou a falar sua nova língua:
- Mamãe, quer me passar o mexedor?
- Mexedor? Que é isso?
- Mexedorzinho, de mexer café.
- Ah, colherinha, você quer dizer.
- Papai, me dá o suco de vaca?
- Que é isso menino?
- Suco de vaca, ora! Que está no suco-da-vaqueira.
- Isso é leite, Marcelo. Quem é que entende este menino?

O pai de Marcelo resolveu conversar com ele:
- Marcelo, todas as coisas têm um nome. E todo mundo tem que chamar pelo mesmo nome porque, senão, ninguém se entende...
- Não acho, papai. Por que é que eu não posso inventar o nome das coisas?


- Deixe de bobagens, menino! Que coisa mais feia!
- Esta vendo como você entendeu, papai? Como é que você sabe que eu disse um nome feio?
O pai de Marcelo suspirou:
- Vá brincar, filho, tenho muito que fazer...
Mas Marcelo continuava não entendendo a história dos nomes. E resolveu continuar a falar, à sua moda. Chegava em casa e dizia:
- Bom solário pra todos...
O pai e a mãe de Marcelo se olhavam e não diziam nada. E Marcelo continuava inventando:
Sabem o que eu vi na rua? Um puxadeiro puxando uma carregadeira. Depois, o puxadeiro fugiu e o possuidor ficou danado.

A mãe de Marcelo já estava ficando preocupada. Conversou com o pai:
- Sabe, João, eu estou muito preocupada com o Marcelo, com essa mania de inventar nomes para as coisas... Já pensou, quando começarem as aulas? Esse menino vai dar trabalho...
- Que nada, Laura! Isso é uma fase que passa. Coisa de criança...


Mas estava custando a passar...
Quando vinham visitas, era um caso sério. Marcelo só cumprimentava dizendo:
- Bom solário, bom lunário... – que era como ele chamava o dia e a noite.
E os pais de Marcelo morriam de vergonha das visitas.



Até que um dia...
O cachorro do Marcelo, o Godofredo, tinha uma linda casinha de madeira que
Seu João tinha feito para ele. E Marcelo só chamava a casinha de moradeira, e o cachorro de Latildo.
E aconteceu que a casa do Godofredo pegou fogo. Alguém jogou uma ponta de cigarro pela grade, e foi aquele desastre!



Marcelo entrou em casa correndo.
- Papai, papai, embrasou a moradeira do Latildo!
O quê, menino? Não estou entendendo nada!


- A moradeira, papai, embrasou...
- Eu não sei o que é isso, Marcelo. Fala, direito!
- Embrasou tudo, papai, está uma branqueira danada!
Seu João percebia a aflição do filho, mas não entendia nada...
Quando seu João chegou a entender do que Marcelo estava falando, já era tarde.
A casinha estava toda queimada. Era um montão de brasas.
O Godofredo gania baixinho...
E Marcelo, desapontadíssimo, disse para o pai:
- Gente grande não entende nada, mesmo!


Então a mãe do Marcelo olhou pro pai do Marcelo.
E o pai do Marcelo olho pra mãe do Marcelo.
E o pai do Marcelo falou:
- Não fique triste, meu filho. A gente faz uma moradeira nova pro Latildo.
E a mãe do Marcelo disse:
É sim! Toda branquinha, com a entradeira na frente e um cobridor bem vermelhinho...



E agora, naquela família, todo mundo se entende muito bem.
O pai e a mãe do Marcelo não aprenderam a falar como ele, mas fazem força pra entender o que ele fala.
E nem estão se incomodando com o que as visitas pensam...



ROCHA, Ruth. Marcelo, marmelo, martelo e outras histórias. Rio de Janeiro: Salamandra consultoria Editorial S.A, 1976.
Ilustração de Adalberto Cornavaca.


Pai, mãe, avó, avô, estudantes, educadores,


A história esta ai, leia e se delicie com esse gênero -

 história  infantil,

mas gostaria de lembrar que o melhor

 mesmo é a

 criança ter acesso ao livro. É preciso folhear. Ver as

 páginas... os desenhos... os autores... a editora...

.... as letras,

 .... a pontuação,

... as palavras,

 ...e, acima de tudo,

construir o sentido ...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

CANÇÃO AMIGA por Carlos Drummond de Andrade




"Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.




Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me veem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.



Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.


Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
 

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças."



ANDRADE, Carlos Drummond de. Drummond de Andrade - obra completa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 1967. p. 221.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"MUDAM-SE OS TEMPOS MUDAM-SE AS VONTADES" por Luiz Vaz de Camões



Um pensador grego – Heráclito – já disse que ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, porque as águas serão sempre outras.  Para esse pensador, o mundo é uma eterna guerra cheia de contradições e mudanças.

 No soneto, abaixo, de Luiz Vaz de Camões -  poeta clássico português - podemos reconhecer a instabilidade do mundo à moda camoniana.

Vamos ao texto!


"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía. "  


                            soía: costumava




Luiz Vaz de Camões/Classicismo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

QUERO por Carlos Drummond de Andrade



"Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.



Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?



Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.



Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.



Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.


No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.


Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor."


(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 27 de agosto de 2011

DOCE ESPERANÇA!! por Sara Menck



arquivo smms/2012




Ah, Rio que corre no longínquo horizonte
Além das montanhas, depois das colinas.
Rio de águas mansas, claras, cristalinas
De Ti flui a vida, o amor, a paz, a esperança.


É de Ti que procede a água que
faz saciar a sede de justiça.
Tu és quem tiras do coração a sequidão,
Tornando-o como uma bússola em Tua direção.


Ah, meu doce Rio,
Quando a vereda em Tua direção esta clara,
Repleta de flores e cores e amores;
A peleja é azul e branca! 

Podemos mesmo correr como criança
e brincar e sorrir e cantar.
E o ventinho traz a doce brisa que provém de Tuas águas!
E o amanhecer é calmo com o seu orvalhar.


Mas, ah Rio, Rio!!!
Quando a peleja em Tua direção esta tensa,
A noite é longa e amedrontadora.
As feras atacam, ladram, aterrorizam; as cobras traem.
A mata é densa e os espinhos penetram na carne e
Produzem profundas fendas, e sangram e doem.


Ah Rio, Rio, Rio!!
Nesse instante o ventinho alcança?
Que caminho tomar? Onde se esconder?
Só se encontra o transtorno, a inquietação,
o descontentamento, a desolação.
E a noite traz o pavor, o receio,

 a ansiedade, o horror...


Então, meu doce Rio, o quão suave é esse Teu ventinho
Quando assopra uma pequena certeza:
Ainda haverá outro amanhecer
e abrigará o orvalhar que provém de Tuas águas.
E as ínfimas gotículas poderão suavizar as feridas
E amenizar a dor.


Ah, Rio, Rio!!
Ainda que pareça tênue a esperança
que vem desse Teu orvalhar,
o coração ainda anuncia a Tua direção.


É por essa esperança de aconchegar no Teu curso,
Que o olhar se firma avante,
E renova o desejo de em Ti banhar.


Ah, Rio, doce Rio!!!
Quando, enfim, puder te contemplar.
E em Tuas águas puder me deleitar.
Bem sei como estarei.


Não, não será como o louco sedento do deserto
Que ao mirar um oásis, atira-se nele e irrompe-se na secura da ilusão.


Bem sei, ó meu Rio,
Se as Tuas águas me banharem
a cada serenar,
a cada orvalhar,
a cada ventar:
Limpar-me-ão.

Então estarei mais pura, mais clara, mais certa

De que serenamente caminharei até o cursar do Teu leito,
E mansa e tranquilamente
Encontrarei as Tuas águas,
E Contigo desaguarei na eternidade...

Sara Maria em 25/08/2011



domingo, 21 de agosto de 2011

INQUISITORIAL por José Carlos Capinan


"pergunto: tu, ante o presente,
como te defines ao que será  passado?

Há urgência de resposta, antes que a noite chegue.


Carregarás fardos para evitar
 
(repara que o rio corre e a noite vem como onda)

ou deixarás que apenas sejamos o tempo

e irreparável memória?"

(CAPINAN, José Carlos)

domingo, 7 de agosto de 2011

DIA DOS PAIS: doce lembrança de meu pai Martinho Menck!!! por Sara Menck

                         No Brasil, todo 2º domingo do mês de agosto, comemora-se o dia dos pais. Tinha planejado não escrever a respeito de meu pai; afinal, não está mais em nossa companhia; entretanto, gosto muito do seu exemplo como a pessoa e pai  que foi.  Entendo que ser pai é um papel social  significativo para a construção e constituição do ser humano.

                         Assim, resolvi relatar um exemplo de um homem simples que errou e acertou e errou e acertou muitas vezes em sua vida, mas é um excelente exemplo de pai.
                        Vejam só, até  há um  ano eu podia ligar, nesse dia,  para a casa dos meus pais e eu ja sabia quando era o meu pai  quem atendia. Ele tinha um jeito barulhento e atrapalhado de atender o telefone.


-  Quem será?? ja vai... ja vai.... ja vaí... - Era mais ou menos assim até por o fone no ouvido.
- Oi, pai???

- Ohhh fiá!!!! Tudo bom com a graça de Deus???
- Tudo bem, pai.... Eita, hoje é seu dia, heim??
- Ah, é mesmo!!! Vamos soltar foguete????!! - brincava, acredito, para afirmar que nem era tão importante assim.

                           Mas a verdade é que ele esperava os telefonemas, os presentes, e mais que isso, a presença dos filhos, filhas, genros, noras, netos, netas, bisnetos e bisnetas.


                          O ano passado foi cortado o fio desse telefone... Não houve mais telefonemas... Acabaram os presentes e as presenças nas costumeiras reuniões familiares  dominicais. Uma cadeira ficou vazia. O som de uma voz aguda silenciou. Não tive mais a companhia até o meu carro: "Você não volta mais hoje, não é fia?". Ou aquela frase tão doce de se ouvir: "Vai, que o Deus da glória te acompanhe!"

                          E era assim mesmo!  Deus, a palavra mais proferida por ele em 60% de uma existéncia que durou quase um século.

                          A verdade é que não fora um cidadão comum. Foi mais ou menos assim: era simples e pobre. Teve uma família numerosa. Trabalhador e honesto demais. Bravo, às vezes, áspero. Ao mesmo tempo, humilde e muitíssimo sincero.  E amou a Deus acima de tudo. Gostava de uma boa prosa, sobretudo, se fosse falar a respeito de Deus. Tocava violão e cantava. A voz era aguda e, algumas vezes, gostava de ser  irreverente com as notas musicais.

                          Foi um grande leitor. Um dos livros que ele sempre comentava que lera e sofrera muito nessa leitura foi  "O mártir do Gólgota". (Nesse livro, o narrador faz o leitor vivenciar o sofrimento carnal de Jesus Cristo). Porém, nos últimas anos da vida lia, sobretudo, a Bíblia Sagrada. Apesar disso, dizia que não a conhecia em sua profundidade, mas compreendera e vivenciara alguns mistérios celestiais.


                         As suas doenças eram passageiras. Não reclamava delas e as vencia. Orava muito. Não colocava "um bocado de alimento" em sua boca, sem antes, dobrar o joelho e agradecer a Deus. Tinha uma mente brilhante e esteveve lúcido até os últimos dias da sua existência.

                         Teve verdadeiramente Deus como seu amigo. E por isso, muito mais do que por isso, aquele homem simples, comum, que atravessou a cidade de bicicleta por um longo período de tempo,  foi mesmo bem aventurado.

                        Hoje temos plena certeza disso, porque a sua história e o seu final provou isto: Deus o honrou em toda a sua existência e  a  sua grande família tornou-se muito produtiva sócio, economico, cultural, científica e espiritualmente falando.

                        Enfim, lembrar de meu pai é como falar de riqueza em fidelidade, em perseverança, em honestidade, em simplicidade, em fé e em amor ao seu Deus no sentido literal de cada palavra. Apesar disso, como já disse, ele errava bastante, mas o que tinha de melhor era a sua busca incessante para compreender o acertar e acertar mesmo.

                        E hoje, apesar de ter sido cortado o fio das nossas ligações, não tenho tristezas, antes pelo contrário, sou muito feliz em ter sido filha de Martinho Menck. Claro, há uma saudade doída, mas há, mais do que tudo, uma forte ligação espiritual e  histórica que se pode resgatar sempre que procuro aquele  eterno Amigo do papai.


                      Lembro que em em suas orações - quando as fazia em voz alta - começava assim: "Pai glorioso e santo.. ."   
       
 Por isso, agora meu caro leitor, para comemorar o dia dos pais vou usar um termo que lembra muito o meu velho e querido papai e pedir ao "Pai glorioso e santo" que abençoe os pais e os ajude a serem e a construirem - também - bons exemplos de pais "de geração em geração"...



E, para "variar", um pequeno poema que escrevi alguns dias depois que Deus recolheu papai.



Despedida


Por que vais agora, pai?     
Ainda não tranquei as portas
Não guardei as chaves
Não apaguei as luzes
Não acertei as arestas
Não preparei as refeições
Não fiz os telefonemas
Nem te entreguei todos os meus bilhetes!!

E tão cedo, por quê?
Quisera ainda uma vez
Ouvir teu canto e
Aquela tão santa saudação!!!

E logo agora que compreenderas
Tão bem o mistério da existência
E tão duradoura fora a convivência?

E tão feliz te vais embora???
E ainda nem me preparaste
A última lição:
Não sei lidar com esta saudade, não!!

(MENCK, Sara. Despedida.  25/10/10)