terça-feira, 11 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
A INCONSTÂNCIA DAS COISAS DO MUNDO por Gregório de Matos
"Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância."
MATOS, Gregório de. In: SPINA, Segismundo. A poesia de Gregório de Matos. São Paulo: EdUSP, 1995
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
SAUDOSA AMNÉSIA por Paulo Leminski
“a um amigo que perdeu a
memória
Memória é coisa recente.
Até ontem, quem lembrava?
A coisa veio antes,
Ao perder a lembrança.
grande coisa não se
perde.
Nuvens, são sempre brancas.
O mar? Continua verde. “
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
A LUA NO CINEMA por Paulo Leminski
"A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.
Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!
Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.
A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!"
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
RAZÃO DE SER por Paulo Leminski
"Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
(LEMINSKI, Paulo. Melhores poemas de Paulo Leminski. Seleção Fred Góes e Álvaro Martins. 4ª ed. São Paulo: Global, 1999, p. 133)
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
CAVALGADA por Raimundo Correia
”
A lua banha a
solitária estrada...
Silêncio!...
Mas além, confuso e brando,
O som
longínquo vem-se aproximando
Do galopar de
estranha cavalgada.
São fidalgos
que voltam da caçada;
Vêm alegres,
vêm rindo, vêm cantando.
E as trompas
a soar vão agitando
O remanso da
noite embalsamada...
E o bosque
estala, move-se, estremece...
Da cavalgada
o estrépito que aumenta
Perde-se após
no centro da montanha...
E o silêncio
outra vez soturno desce...
E límpida,
sem mácula, alvacenta
A lua a
estrada solitária banha...
”
|
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
ESPERANÇA por Vicente de Carvalho
”Só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência resumida
que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos
árvore milagrosa que sonhamos
toda arriada de dourados pomos
existe sim; mas nós não n´a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos.
”
Assinar:
Postagens (Atom)