quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

HELENA KOLODY: 100 ANOS

Quem vai cantando,
Não vai sozinho.
Dançam em seu caminho
O sonho e a canção"

(Cantar - 1986)

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VOZ DA NOITE


O sol se apaga.
De mansinho,
a sombra cresce.

A voz da noite
diz, baixinho:
esquece... esquece...


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SIGNIFICADO (1986)


No poema
e nas nuvens,
cada qual descobre
o que deseja ver.

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QUEIXA


Tu, Senhor, que repartes os destinos:
Por que me deste o árido quinhão
De sonho, de tristeza e solidão?


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ENSAIO


A solidão da vida.
Longo ensaio
Da solidão da morte.


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HOJE (1985)

Hoje há uma nova luz no horizonte
e é uma dádiva o dia.

Hoje,
momento a momento,
muda o mundo,
a vida acontece,
germina o futuro.

Hoje é o chão da existência


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AGORA  (1966)

Se tens um elogia a proferir,
é tempo agora.

Não aguardes que o vento da morte
desvaneça da areia da vida
o nome que o merece.

Se há um agravo pungente a perdoar,
é tempo, é hora.

O mais fundo rancor não resiste
a um apelo de braços abertos.  


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PARA NÃO TE ESQUECER (1988)

Ontem, vi alguém
que tinha os teus olhos
e voltei a sofrer.
Era como se os tivesses deixado
deste lado
para eu não te esquecer.

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PÁSSAROS LIBERTOS (1985)

Palavras são pássaros,
voaram!
Não nos pertencem mais.


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SABEDORIA (1993)

Tudo o tempo leva.
A própria vida não dura.
Com sabedoria,
colhe a alegria de agora
para a saudade futura.


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VIAGEM INFINITA (1980)

Estou sempre em viagem.

O mundo é a paisagem
que me atinge
de passagem.


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APELO (1941)

Ensina-me, Senhor, a palavra exata,
A grande palavra reveladora e fecunda
Que devo clamar, clamar e clamar
Para acordar, nos que adormeceram
A consciência do seu destino maior



(KOLODY, Helena. Sinfonia da vida. Curitiba: Polo Editorial do Paraná. 1997






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